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Cientista afirma ter resolvido caso Dyatlov, mas teoria não convence


O Mistério do Passo Dyatlov é um dos mais assustadores já registrados no século 20. Envolveu múltiplas mortes horrendas, explicações que não fizeram sentido, imagens assustadoras e a resolução final é que todos morreram pela "ação de uma força desconhecida", segundo investigadores soviéticos. Mas um cientista, com a ajuda de alguns algoritmos modernos, afirma ter resolvido o mistério!

Em um artigo publicado na revista Communications Earth and Environment, Johan Gaume, auxiliado por Alexander M. Puzrin, diz ter resolvido o principal do mistério. Tudo com a ajuda de ferramentas modernas que simulam a física de objetos, usadas por empresas de carro e animadores de Frozen

Segundo eles, uma "pequena e limitada avalanche" foi a responsável pela maioria das mortes, ocorrida em uma região remota da então União Soviética, em 1959. Mas isso explica os mistérios do Passo Dyatlov?

Em primeiro lugar é preciso apontar que a dupla não quis dar uma solução para todos os acontecimentos registrados naquele evento, mas sim como boa parte das barracas dos estudantes foi soterrada, mesmo sem qualquer sinal claro da ocorrência de avalanches no dia

A explicação da dupla bate com um relatório recente do governo russo, que reabriu o caso em 2019. Os oficiais do país não divulgaram detalhes científicos, mas afirmaram ser "bem possível" que uma avalanche tenha ocorrido, mesmo sem evidências claras

A hipótese de uma avalanche foi descartada na época porque não havia nevado no dia 1º de fevereiro de 1959, quando muito provavelmente ocorreu o incidente. O acampamento também estava em uma região sem uma encosta íngreme o suficiente para ocorrer um evento do tipo. Além disso, havia um atraso de pelo menos nove horas entre a movimentação dos que estavam acampados e a tal avalanche

Dessa forma, a hipótese de uma avalanche sempre foi oficialmente descartada pelos investigadores soviéticos, mas ventilada por cientistas do século 21

Mas Puzrin, um engenheiro geotécnico de um instituto de tecnologia suíço, criou um modelo onde um abalo sísmico poderia ter gerado uma avalanche com o intervalo misterioso registrado em Dyatlov. Junto com Gaume, também especialista suíço em engenheira topográfica, ele acha que encontrou as explicações para boa parte dos eventos

Segundo a dupla, o terreno tinha inclinação de 30 graus, o que é considerado o requisito mínimo para avalanches

Além disso, mesmo sem neve, os alpinistas registraram em seus diários muitos ventos fortes poucas horas antes do início da tragédia

Segundo o modelo computacional dos dois, o bloco deslocado de neve pode ter sido de 5 m, o que explica o motivo de nenhuma autoridade forense da época ter identificado uma avalanche no local

A partir daí os dois parecem entrar em um terreno um tanto especulativo. Por exemplo: os nove mortos (sete homens e duas mulheres) tinham lesões e fraturas que parecem ter sido causadas por objetos contundentes, o que afastou a possibilidade de uma avalanche os ter matado. Além disso, eles não morreram por sufocamento, geralmente a causa da morte para vítimas em avalanches

Os dois recorrem a estudos um tanto heterodoxos para tentar explicar essa parte. Em primeiro lugar, a uma ferramenta de simulação usada na animação Frozen, que tenta prever o impacto de um bloco de neve sobre o corpo humano. Em segundo, um estudo de efeitos corporais de acidentes de carro

Segundo os modelos empíricos do estudo, uma pequena avalanche do tipo poderia causar ferimentos graves, mas não "imediatamente fatais", como descreve a National Geographic

Pesquisadores independentes consultados pela publicação disseram que os "modelos empíricos do estudo" são "perfeitamente robustos", embora careça de exemplos mais recentes documentados

O estudo mais ou menos termina aí: explicar os eventos posteriores está aquém da proposta dos dois

Mas eles se apegam a explicações mais mundanas e afastam um pouco o tom de mistério ao tentar sugerir o que aconteceu depois

A falta de olhos e língua de alguns dos integrantes pode ser efeito da ação de animais necrófagos da região, que bicaram os cadáveres dos alpinistas

O fato de alguns deles estar sem roupa se explica com efeitos comuns da morte por hipotermia e frio, quando o corpo se aquece intensamente pouco antes da morte

Segundo os dois, o caso é uma espécie de "tempestade perfeita", onde diversos fatores comuns formam um quadro difícil de explicar. Assombroso, até. Obviamente, não é possível ter certeza de todos os detalhes, uma vez que o estudo faz uso de modelos matemáticos e hipóteses (e não esconde isso), e não analisa inteiramente dados forenses colhidos na época e no local

Detalhamos outros mistérios do caso quando ele foi reaberto

É possível ler o estudo completo (em inglês) no site da publicação

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