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“Comportamento sexual compulsivo” é classificado como transtorno mental


Para a nova edição do manual de Classificação Internacional de Doenças (CID-11), que deve entrar em vigor em 2022, a Organização Mundial da Saúde vai incluir o “comportamento sexual compulsivo” como um transtorno mental na categoria “desordens de controle de impulsos”.

O documento, publicado no mês passado, descreve o problema como “um padrão persistente de falha no controle de impulsos sexuais repetitivos e intensos, resultando em comportamento sexual repetitivo” que se estende por um período igual ou maior a seis meses.

Além disso, para ser considerado compulsivo, deve causar “sofrimento acentuado ou prejuízo significativo” em áreas importantes da vida da pessoa, como a familiar, social, educacional ou ocupacional.

A questão, no entanto, é polêmica. Alguns especialistas questionam se o sexo, assim como jogos e compras, podem realmente ser “viciantes” sem um amparo químico como o que existe no álcool e outras drogas.

Outros defendem que se trata de algo que altera o cérebro e deve, portanto, ser tratado como qualquer outro vício. Além disso, profissionais que trabalham com viciados em sexo apontam para o sofrimento de seus pacientes como evidência de que a condição existe.

Há ainda quem defenda que o que parece uma compulsão sexual indica apenas que as pessoas têm graus diferentes de libido – e essa inclusão no manual poderia contribuir para criar um estigma sobre aqueles que não se encaixam nos padrões.

De qualquer forma, a decisão da OMS pode ser uma ajuda para que se chegue a um consenso, já que essa classificação oficial pode resultar em mais pesquisas sobre o comportamento sexual compulsivo – até porque uma das causas de se ter pouca pesquisa sobre o tema era justamente a falta de uma definição clara sobre o que ele é.

(Via CNN).

Mesmo bem-intencionadas, estas frases reforçam estereótipos


Ideias errôneas e arcaicas como a de que meninas não podem ser boas em matemática, computação ou ciências precisam ser derrubadas – e existem muitos esforços mundo afora para que isso seja feito. Mas alguns incentivos cotidianos precisam ser repensados, segundo um estudo recente da Universidade Stanford.

O problema está em frases (muitas vezes ditas por pais e professores) como “garotas são tão boas quanto garotos em matemática”, ou variações do tipo “uma cientista mulher é igual a um cientista homem”.

Embora a intenção seja mostrar que indivíduos dos dois sexos sejam igualmente capazes, construções frasais como essas acabam reforçando a ideia que elas visam combater.

As autoras do estudo, Eleanor Chestnut e Ellen Markman, testaram os efeitos de frases como essas em adultos americanos e descobriram que a maioria das pessoas associa uma habilidade matemática natural com o gênero citado na segunda parte da frase.

“A linguagem pode desempenhar um papel enorme na maneira como percebemos o mundo”, disse Chestnut. “É importante identificar elementos que podem nos influenciar de uma forma ou de outra, sem percebermos”.

A culpa está na estrutura gramatical usada: o gênero presente na segunda parte da frase é interpretado como um padrão para o outro. Assim, dizer “meninas são tão boas quanto meninos” significa para o ouvinte ter um objeto (“meninas”) comparado a outro, que é considerado o padrão, ou mais comum (“meninos”).

Pode-se estar tentando dizer que tanto um quanto o outro são iguais, mas o que fica é a ideia de que só um deles é o padrão. Fica mais fácil entender isso quando comparamos as frases “tendas são como casas” e “casas são como tendas”. Qual delas lhe parece a mais correta?

O segundo objeto é considerado o padrão a ser seguido, e é por isso que nos parece mais adequado dizer que tendas são como casas, e não o contrário. Em outras palavras, existe aí uma conotação de superioridade do segundo objeto sobre o primeiro.

Frases igualitárias

Agora considere a frase:

“Meninas e meninos são igualmente bons em matemática”.

A diferença entre essa e as anteriores pode parecer insignificante à primeira vista, mas as autoras garantem que seus efeitos são importantes. É que nela não estamos comparando um objeto a outro: ambos desempenham o mesmo papel na sentença: o de sujeitos.

Para entender o efeito dessas construções frasais sobre as pessoas, as autoras entrevistaram 650 adultos de língua inglesa dos Estados Unidos, divididos em cinco grupos.

Cada grupo leu variações de um parágrafo sobre pesquisas científicas que mostravam não haver diferenças de gênero em relação a habilidades matemáticas. O texto era quase idêntico – a única diferença, bem sutil, estava em como a frase com a descoberta principal havia sido construída.

Havia quatro construções possíveis: “as meninas se dão tão bem quanto os meninos em matemática”, “os meninos se dão tão bem quanto as meninas em matemática”, “meninas e meninos são igualmente bons em matemática” e “meninos e meninas são igualmente bons em matemática ”.

Depois da leitura, cada participante teve de dizer qual gênero lhe parecia mais naturalmente qualificado em matemática.

Dos que leram o texto que incluía “as meninas são tão boas quanto os meninos em matemática”, 71% disseram que os meninos têm uma habilidade matemática mais natural. Por outro lado, apenas 32% disseram o mesmo depois de ler um texto que continha “meninos são tão bons quanto meninas em matemática”. Ou seja: a simples troca de ordem de duas palavras resultou na reversão completa de um estereótipo.

E vale notar que, quando perguntados, nenhuma dessas pessoas considerou tais frases tendenciosas – o que mostra que as pessoas muitas vezes não estão cientes de como a linguagem as influencia.

Já os leitores das construções “são igualmente bons em matemática” mostraram uma redução de crenças envolvendo esse tipo de estereótipo: só 52% dos que leram “meninas e meninos” e 53% dos que leram “meninos e meninas” atribuíram maior habilidade matemática aos meninos.

“Não estamos dizendo: ‘Nunca diga isto ou aquilo'”, disse Chestnut. “Mas se esse tipo de linguagem está em toda parte e estamos habitualmente usando, tudo isso poderia importar. Para alcançar a igualdade de gênero, devemos analisar criticamente nossa linguagem para que possamos identificar e corrigir as formas pelas quais reforçamos implicitamente a crença de que os homens são o gênero dominante e de status mais alto ”.

O estudo foi publicado no periódico Cognitive Science e pode ser lido aqui.

Como prever se uma discussão na internet vai virar baixaria


Você já parou para pensar por que é que algumas discussões de internet – mesmo aquelas que começam bem – descambam rapidamente para ataques pessoais, enquanto outras se tornam uma troca civilizada de ideias? Será que é possível predizer qual será o caso?

Uma equipe de cientistas da Universidade Cornell resolveu investigar o assunto usando como base milhares de conversas online entre editores da Wikipedia – um grupo que está continuamente trocando mensagens sobre edições de artigos variados, e muitas vezes de forma acalorada.

“Nós, como seres humanos, temos uma intuição de que uma conversa está prestes a dar errado, mas geralmente é apenas uma suspeita. Nós nos perguntamos então se poderíamos construir sistemas para replicar ou até mesmo ir além dessa intuição”, disse Cristian Danescu-Niculescu-Mizil, professor de ciência da informação e coautor da pesquisa.

Como prever a baixaria

O estudo comparou conversas aos pares – uma delas acabava mal e a outra se mantinha civilizada. As duas sempre versavam sobre o mesmo tema, evitando assim que os resultados fossem distorcidos por assuntos delicados como a política.

O resultado foi o desenvolvimento de um programa capaz de identificar sinais de alerta na linguagem usada no início das conversas – mais precisamente, logo na primeira frase de cada interlocutor.

A repetição da palavra “você” por qualquer um dos participantes era um bom indício de que uma briga estava por vir, assim como perguntas diretas (por exemplo: “Cadê a fonte para essa afirmação?” ou “Por que mudaram essa frase?“).

Já as conversas que incluíam saudações, expressões de gratidão, termos como “parece que”, e palavras “eu” e “nós” eram mais propensas a permanecerem pacíficas.

Tornando a internet mais acolhedora

O programa conseguiu prever com 65% de precisão quando uma discussão iria virar uma trocas de ofensas. Ó índice de acertos ainda é baixo – as pessoas acertaram 72% em testes – mas já é um começo para o desenvolvimento de uma ferramenta que ajude moderadores humanos a direcionar sua atenção para diálogos problemáticos.

A ideia é que, no futuro, esses moderadores ou os próprios participantes da conversa consigam agir antes de as ofensas começarem. Os pesquisadores acreditam que tais métodos de prevenção poderão substituir ações corretivas como o bloqueio de usuários específicos ou tópicos sensíveis.

“Se tivermos ferramentas que identifiquem ataques pessoais já será tarde demais, porque o ataque já aconteceu e as pessoas já o viram. Mas se você entender que esta conversa está indo mal e agir a tempo, isso pode tornar [a internet] um pouco mais acolhedora”, disse Jonathan P. Chang, que também assina o estudo.

Os autores disponibilizaram neste link um teste online para você tentar identificar os diálogos que viraram brigas. Já o estudo pode ser lido na íntegra aqui.

A ciência explica por que caímos em fake news


A greve dos caminheiros que parou o país recentemente gerou um volume extraordinário de notícias – verdadeiras e falsas. Na época, muita gente percebeu logo que a história de que um aplicativo de mensagens estaria sendo monitorado pelo governo era fake news – mas caiu no papo igualmente falso de que a greve se repetiria numa segunda-feira próxima.

Por mais bem informado que você possa ser, não dá para baixar a guarda. Mas por que as notícias falsas – mesmo aquelas mais improváveis – parecem tão convincentes para tantas pessoas?

Por sorte, alguém já fez essas perguntas e foi atrás das respostas. “A coisa legal sobre a ciência é que, quando você vê o jornal e começa a pirar, uma coisa que pode fazer é ir para seu laboratório, ler o trabalho que já foi feito e fazer seus próprios estudos para tentar entender o que está acontecendo e talvez encontrar a cura para o problema”, disse Jay Van Bavel, professor de psicologia e ciência neural da Universidade de Nova York.

Van Bavel se especializou em entender como as crenças políticas e identidades de grupo influenciam a mente, e descobriu que a identificação com posições políticas pode interferir em como o cérebro processa as informações.

Em um trabalho recente, publicado no periódico Trends in Cognitive Science, ele compartilha o que descobriu sobre o processo que nos leva a acreditar em notícias falsas. Veja alguns dos pontos levantados:

Tendemos a rejeitar fatos que ameaçam nosso senso de identidade

falamos por aqui sobre o viés de confirmação – a tendência que temos a sempre buscar informações que confirmem nossas próprias crenças, seja por meio de memórias seletivas, leituras de fontes que estão do nosso lado ou mesmo interpretando os fatos de determinada maneira.

Isso tudo está relacionado ao fato de que não queremos ter nossas ideias, gostos, identidade questionados, e por isso temos dificuldade em aceitar coisas que contradizem aquilo em que acreditamos.

Não faltam estudos comprovando isso. Em seu trabalho, Van Bavel menciona um em que se descobriu que os democratas tinham mais chances de lembrar George W. Bush como estando de férias durante o furacão Katrina (ele não estava), enquanto os republicanos eram mais propensos a se lembrar de ter visto Barack Obama apertando as mãos do presidente do Irã (ele não fez isso).

Em outro, os pesquisadores viram que até mesmo pessoas boas em fazer contas tiveram dificuldade para resolver um problema matemático cuja resposta contradizia sua opinião a respeito do efeito do controle de armas sobre a redução do crime.

Van Bavel explica que as preferências políticas muitas vezes são parte essencial de como as pessoas constroem sua identidade – assim, uma crítica ou ameaça a determinado partido ou ideologia pode ser percebida, embora nem sempre de maneira consciente, como um ataque pessoal. A gente vê isso acontecer o tempo todo na internet.

“Nós ainda não temos todas as respostas em relação à atividade cerebral” diz ele, “mas quando você tem um compromisso realmente forte com um grupo ou crença e obtém informações que contradizem o que sabe, você constrói novas maneiras de pensar sobre essa informação em vez de atualizar sua crença”. Em outras palavras, nós tendemos a usar uma espécie de gambiarra cognitiva para lidar com informações conflitantes com aquilo em que acreditamos.

Daí ser mais fácil acreditar num boato toscamente formulado – mas que está de acordo com a nossa visão de mundo – do que aceitar uma realidade que nos desagrada.

Tribalismo + mídias sociais = disseminação de fake news

Segundo Van Bavel, existe ainda um outro fator – talvez tão antigo quanto a humanidade – a explicar nossa tendência a cair na armadilha das fake news.

Nossas estruturas cognitivas funcionam de forma a tornar agradável pertencer a um grupo e, por outro lado, tornam doloroso e assustador mudar as alianças (algo que talvez precise ocorrer quando descobrimos novos fatos que entram em conflito com nossas crenças centrais).

Isso nos permitiu formar grupos coesos e funcionar como sociedade. Por isso, é provável que sempre tenhamos uma tendência a abraçar e compartilhar evidências que reforcem nossa visão de mundo e rejeitar tudo aquilo que a contradiz.

Mas um novo elemento apareceu nos últimos anos e tornou tudo mais complicado: a internet e as mídias sociais amplificaram exponencialmente a capacidade de o ser humano se comunicar com outros – e a velocidade com que as notícias, falsas ou não, podem se espalhar.

Deve-se ainda acrescentar o fato, comprovado pelos estudos de Van Bavel, de que textos sensacionalistas são mais propensos a causar impacto – e consequentemente a ter muitos compartilhamentos – nas redes sociais.

Sabendo disso, tanto os veículos de notícias que dependem de cliques quanto os cidadãos comuns que querem likes têm fortes motivos para postar esse tipo de conteúdo. “A psicologia antiga e a tecnologia moderna criaram a combinação perfeita para que notícias falsas e hiper-partidárias sejam perpetuadas”, diz ele.

(Via NYU)

 

Reclamar sobre o trabalho com seus colegas pode melhorar o ambiente


Quando a gente não está feliz, ficar reclamando pode até fazer tudo piorar – afinal, você está colocando as coisas ruins no centro das atenções. Mas isso nem sempre é verdade quando se trata de trabalho.

Uma pesquisa publicada recentemente no periódico Organization Studies descobriu que reclamar sobre o trabalho – durante o expediente – pode ajudar a construir relações mais próximas entre os membros da equipe e melhorar o humor de todo mundo.

Os voluntários analisados vinham de um ambiente nada fácil: eram enfermeiros, médicos e assistentes sociais do setor de oncologia e de pacientes terminais em um hospital dos Estados Unidos. Eles tinham que lidar com pressões vindas de todos os lados, incluindo pacientes e seus familiares, chefes que cobravam por mais produtividade e a própria estrutura organizacional.

Havia um descontentamento, por exemplo, sobre como o hospital tratava os pacientes: eles se sentiam frustrados por sentir que a organização não estava acompanhando certos progressos na área da saúde, como a tendência a tratar os pacientes enquanto pessoas inteiras, sem dar atenção excessiva a certas especialidades da medicina em prejuízo de outras.

“Eles então usavam a reclamação e o humor para desafiar as estruturas existentes ”, explica a autora do estudo, Vanessa Pouthier, da Faculdade de Economia e Negócios da Universidade de Melbourne.

Como reclamar ajudou – e as regras a serem seguidas

Ao acompanhar a forma como aquelas pessoas se queixavam do trabalho em suas reuniões diárias de planejamento, o estudo detectou efeitos positivos.

O primeiro deles foi a formação de mais laços com colegas, incluindo aqueles de diferentes formações. “Uma das melhores coisas da equipe que observei foi que esses rituais de queixas ajudavam médicos e enfermeiros a perceberem que estavam se sentindo da mesma maneira em relação às situações [que enfrentavam todos os dias], e não eram tão diferentes”, diz Pouthier. Segundo ela, esses laços ajudaram a equipe a enfrentar os sentimentos negativos unida – e a superá-los.

Mas isso tudo não quer dizer que é só chegar ao trabalho e ficar reclamando. Existem algumas regras importantes que devem ser seguidas.

Para começar, a reclamação precisa ser sobre algo que também incomode as outras pessoas com quem você irá falar, justamente para criar essa empatia. Não adianta falar sobre algo muito pessoal, por exemplo. Além disso, só vale reclamar de quem não faz parte da equipe – afinal, você não quer piorar as coisas criando um clima de inimizade, certo?

Por fim, é importante ter senso de humor. “Reunir-se para brincar sobre os problemas pode ajudar as equipes a trabalhar com eles e ainda gerar emoções positivas no processo. Isto é importante não só para a ligação entre as pessoas, mas também sob uma perspectiva cognitiva: emoções positivas ajudam a manter-se mais aberto”, explica a autora.

Essa abertura à troca é ainda mais vantajosa em equipes multidisciplinares como a de hospitais, com pessoas de diferentes formações. “Todos nós fomos socializados para pensar sobre o mundo de uma maneira particular”, diz Pouthier. “Então você tem interesses e valores profissionais diferentes, além de objetivos e perspectivas diferentes. E como a maioria dos problemas é complexa e exige um confronto de perspectivas, queremos essa variedade de perspectivas. Mas, para que isso funcione, todos precisam manter a mente aberta”.

O estudo também sugere que o humor pode servir a uma função política, ajudando a mobilizar as pessoas e a transformar suas perspectivas. “Vocês podem começar rindo juntos de uma situação política, como a estrutura da organização, e isso pode criar um lugar seguro para que conversas desafiadoras aconteçam”, diz ela. A partir daí, pode até sair alguma solução – ou, pelo menos, algo que melhore a situação.

(Via Futurity.org e Universidade de Melbourne)

Como as pessoas com quem convivemos afetam nossa forma de ver o mundo


Você já notou, em alguma época da sua vida, que se tornou uma pessoa mais estressada ao conviver com pessoas estressadas? Ou viu sua opinião política ficar mais e mais parecida com a de seus amigos?

A ideia de que tendemos a ficar mais parecidos com as pessoas que nos rodeiam não é nenhuma novidade. Mas um estudo recente mostrou que nossos círculos sociais também podem influenciar a forma como enxergamos o mundo.

E essa influência pode ter efeitos aparentemente contraditórios: você pode pensar que a maioria das pessoas tem as mesmas opiniões políticas que as suas, mas também pode achar que sua forma de ver as coisas é única. Ou então pode achar que é mais ou menos privilegiado do que o resto do mundo, dependendo de como a sua vida se comparar com a das pessoas do seu grupo.

“Nossos círculos sociais — nossos amigos e familiares — são muitas vezes as únicas fontes de informação que temos sobre diferentes características de um mundo social mais amplo, como frequência de problemas de saúde ou conflitos com um parceiro”, diz o professor Henrik Olsson, um dos autores.

Assim, tendemos a achar que ninguém mais tem conseguido manter um relacionamento sério, caso nossos amigos estejam todos solteiros ou terminando seus namoros. Ou podemos acreditar que certo tipo de doença é muito mais comum do que de fato é, caso acometa várias pessoas do mesmo círculo.

Por outro lado, esse mesmo processo cognitivo pode gerar julgamentos sociais bem diferentes em determinados casos.

Por exemplo, se todo mundo do seu convívio tiver as mesmas opiniões políticas, é fácil achar que essa bolha representa o mundo inteiro — e aí você até fica chocado quando vê que existem pessoas que apoiam aquele candidato que você considera bizarro.

Mas conviver com gente de opiniões diferentes das suas não é garantia de uma visão mais realista das coisas. Nesse caso, o estudo descobriu que pessoas que fazem parte de círculos sociais mais diversificados podem sentir um efeito contrário e achar que seus pontos de vista são mais raros na população geral do que de fato são.

Outro exemplo: se você for o único do seu grupo com problemas financeiros, é fácil se sentir fracassado e achar que sua vida está muito pior que a da maioria das pessoas do mundo — ainda que seus amigos sejam privilegiados e, portanto, constituam uma exceção na sociedade como um todo.

Mesmo processo, efeitos diferentes

A professora Mirta Galesic, outra autora do estudo, faz uma analogia simples para explicar os diferentes efeitos dessa influência social: “Considere dois chefs que usam a mesma receita de molho, mas com pimentões de diferentes regiões. Seus molhos podem ter um sabor diferente e, sem reconhecer a diferença de pimenta, pode-se pensar que se trata de receitas diferentes. Da mesma forma, duas pessoas podem confiar no mesmo processo cognitivo para fazer julgamentos sociais sobre a população em geral, mas se elas confiarem em círculos sociais diferentes, podem ter julgamentos diferentes”.

Segundo os autores, ainda é preciso entender melhor as raízes desses julgamentos sociais tendenciosos, e como se dá a interação dos processos cognitivos individuais com as relações que o indivíduo mantém.

Isso é importante porque a maneira como percebemos nossos mundos sociais, dizem eles, afetará não só como julgamos nossa própria situação e como estabelecemos nossos objetivos pessoais, mas também nossas crenças sobre quais políticas públicas seriam melhores para a sociedade como um todo.

O estudo foi publicado na Psychological Review.

(Via Medical Xpress)

Por que tantas mulheres continuam em relacionamentos abusivos


É muito provável que você conheça alguém que já esteve – ou que está – em um relacionamento abusivo. Relações em que há agressões físicas, verbais ou psicológicas são, infelizmente, algo muito comum.

Apesar de o tema estar sendo mais amplamente discutido na mídia, e de aquele papo antigo de não “meter a colher” em briga de casal estar finalmente sendo deixado de lado, ainda é muito comum que se culpe a vítima pela situação. Afinal, pensam muitas pessoas, por que as mulheres ainda “deixam” que isso aconteça? Por que “submetem” a isso em vez de simplesmente irem embora?

Em um artigo publicado no site The Conversation, o professor e pesquisador Daniel G. Saunders, da Universidade de Michigan, fala sobre seus estudos a respeito desse assunto e traz alguma luz para que se entenda o que impede as mulheres de se livrarem de relacionamentos abusivos.

A resposta, como se pode imaginar, está ligada a uma série de fatores. Um dos mais comuns é a falta de recursos – a mulher talvez não tenha um emprego, ou não ganhe o suficiente para se sustentar sozinha. Se ela tiver filhos, a situação fica ainda mais complicada.

Outro motivo é a falta de apoio da família, amigos e colegas, que muitas vezes não acreditam ou até culpam a vítima pelo abuso; e há ainda o medo: afinal, as mulheres podem ter motivos reais para temer por sua vida caso deixem seu companheiro. Um estudo feito pelo próprio professor Saunders constatou que o risco de homicídio aumenta logo depois de a vítima deixar o abusador.

Mas há outras razões, menos visíveis, que mantêm a vítima presa a essa relação:

– o parceiro não é violento o tempo todo, mas também se mostra gentil e sensível;

– o parceiro se mostra arrependido e a vítima fica com pena;

– o parceiro diz que vai procurar tratamento e a vítima cria esperanças de que ele vá mudar;

– o parceiro menospreza a vítima e destrói a sua autoconfiança, o que faz com que ela se sinta presa a essa situação e tenha vergonha de pedir ajuda.

“Deixar o parceiro é frequentemente um processo complexo com vários estágios: minimizar o abuso e tentar ajudar o agressor; abrir os olhos ao fato de que o relacionamento é abusivo e perder a esperança de que vai melhorar; e, finalmente, focar nas próprias necessidades de segurança e sanidade e lutar para superar os obstáculos externos”, escreve o professor.

Quando o abusador é um homem de status ou alguém querido na comunidade, a vítima tem ainda outros dois fortes motivos para ficar relutante: por um lado, o medo de destruir a carreira do parceiro; de outro, o de não acreditarem em sua palavra.

Descrença pública

O medo da descrença de outras pessoas é bem fundamentado. “Em um estudo, o público via um ataque contra um parceiro íntimo como menos grave do que um ataque a um estranho, ainda que o mesmo nível de força fosse usado”, escreve Saunders.

“Embora a aceitação pública do abuso doméstico tenha diminuído com o tempo, a culpabilização das vítimas está ligada a pontos de vista machistas, como a crença de que a discriminação contra a mulher não é mais um problema e homens e mulheres têm oportunidades iguais”, completa.

Esse tipo de comportamento não está restrito a pessoas leigas: profissionais de saúde, terapeutas conjugais, juízes, policiais e outras autoridades que deveriam proteger as vítimas muitas vezes as ignoram, as desacreditam ou minimizam as agressões.

Para ajudar a combater esse tipo de erro, o professor sugere que se envolvam meninos e homens no combate à violência doméstica, educando-os sobre o assunto e incentivando um comportamento mais cuidadoso e respeitoso para com as mulheres.

E há ainda uma solução mais imediata: “É preciso pouco ou nenhum treinamento para que os profissionais, ou qualquer outra pessoa, deem crédito às experiências das vítimas e, assim, possam ajudá-las a cultivar a força interior para conseguir sair dessa relação”, escreve. Para isso, basta mostrar a essas mulheres que elas não estão sozinhas e que você acredita nelas. Isso já faz muita diferença.

O problema de achar que sua crença política é melhor que a dos outros


Sabe aqueles indivíduos que acham que só a própria opinião é válida? Além de serem mais propensos a se superestimarem, há boas chances de eles saberem até bem menos que as outras pessoas – justamente por causa dessa visão enviesada sobre o conhecimento que possuem.

Foi isso o que descobriu uma pesquisa da Universidade de Michigan recentemente publicada no Journal of Experimental Social Psychology.

O objetivo era entender, por meio de cinco estudos com algumas centenas de participantes (o número variava a cada estudo, mas eram todos adultos e dos Estados Unidos), se eles de fato sabiam mais do que o resto das pessoas – ou se pelo menos usavam estratégias melhores para buscar informação.

No primeiro teste, os pesquisadores perguntaram aos voluntários sobre as suas crenças a respeito de vários temas políticos, incluindo o quanto eles achavam que sabiam sobre esses tópicos e o quanto se sentiam mais ou menos esclarecidos do que outras pessoas. Depois, cada um precisou resolver quizzes para provar seus conhecimentos reais sobre essas questões.

A conclusão? No caso daqueles que se achavam mais espertos ou “iluminados” que os outros, o conhecimento que de fato possuíam era inferior ao que achavam ter. Por outro lado, os participantes mais humildes às vezes até subestimavam o quanto sabiam.

Busca de informações confiáveis

Bom, então os supostos sabe-tudo não sabiam tanto assim. Mas talvez eles estivessem correndo atrás desse conhecimento. Foi isso o que os autores quiseram tentar entender.

Para isso, em um segundo teste, foi apresentada aos voluntários uma série de artigos e notícias sobre determinado tema político – alguns apoiando e outros desafiando a ideologia de cada um.

Quando tiveram que escolher quais artigos gostariam de ler, as pessoas que acreditavam na sua superioridade de crenças eram significativamente mais propensas a escolher informações que sustentassem suas opiniões.

E eles faziam essa escolha de modo consciente, sabendo que estavam buscando fontes enviesadas. “Pensávamos que, se as pessoas menos modestas mostrassem uma tendência a buscar um conjunto equilibrado de informações, elas poderiam afirmar que chegaram à sua suposta superioridade de crença por meio de um pensamento crítico e ponderado sobre os dois lados da questão”, diz Michael Hall, principal autor do estudo.

Mas as pessoas estavam fazendo justamente o contrário: ao consumir coisas de fontes que apoiavam seu ponto de vista, elas perdiam a oportunidade de questionar suas crenças e ampliar seus conhecimentos.

Um viés que todo mundo tem

Antes de compartilhar este post para dar aquela alfinetada no seu amigo (pode fazer isso, sim, mas leia até final), vale dizer que, embora algumas pessoas sejam menos modestas que outras, todo mundo gosta de ter as próprias crenças confirmadas e pode cair na armadilha de só ler aquilo que contribui para isso.

“Ter suas crenças validadas é bom, enquanto ter suas crenças desafiadas cria desconforto, e esse desconforto geralmente aumenta quando suas crenças são fortes e importantes para você”, diz Kaitlin Raimi, coautora do estudo.

A parte boa é que o estudo também descobriu que, embora seja difícil, não é impossível fazer com que a pessoa se dê conta de que seu conhecimento não é tão grande quanto ela pensa e, assim, fazer com que o seu sentimento de superioridade diminua.

E o melhor é que, quando esse sentimento diminui, também cai a sua tendência a buscar informações enviesadas. “Quando a superioridade de crença é reduzida, as pessoas recorriam a fontes de informação que poderiam ter sido consideradas inferiores anteriormente”, diz o estudo.

Em outras palavras, a ignorância tem cura – desde que o orgulho seja deixado de lado.

(Via Futurity.org e Universidade de Michigan).

 

Expressões faciais não revelam emoções, mas intenções


É comum as pessoas pensarem que o rosto revela aquilo que estamos sentindo no momento – se você está bravo ou feliz, isso ficaria claro para quem olha.

Mas, de acordo com um estudo recente da Universidade da Califórnia, em Santa Barbara, e da Universidade de Monfort, em Leicester (Inglaterra), nossas expressões faciais teriam um papel bem mais útil: elas podem revelar o que nós queremos de uma interação social.

“A cara de choro, por exemplo, é geralmente considerada uma expressão de tristeza, mas nós a usamos para pedir socorro, quer esse socorro signifique segurança, palavras de conforto ou só um abraço”, explica um dos autores, o professor Alan J. Fridlund.

Segundo ele, isso nos deixa mais próximos dos animais – que, como a ciência tem percebido cada vez mais, também são comunicadores e negociadores sofisticados. Sabe quando seu cachorro faz aquela cara de dó enquanto você está comendo algo que ele deseja muito, só para te convencer a dividir o lanche? Então.

“Desde a pré-escola, vemos rostos sorridentes com a palavra ‘feliz’ e rostos tristes com a palavra ‘triste’. Essa pode não ser a melhor maneira de entender expressões faciais. Um macaco no zoológico que sorri para você não é necessariamente feliz – ele está fazendo uma careta de ameaça submissa”, explica Fridlund.

Nossas expressões faciais, embora obviamente sejam diferentes e mais complexas, são também bem semelhantes às dos animais em vários aspectos – incluindo em sua função como ferramentas sociais em relações envolvendo negociações com outros indivíduos.

Expressões não universais

Publicado no periódico Trends in Cognitive Sciences em março, o estudo apresenta evidências de que as expressões faciais não são universais: aquilo que se pensava anteriormente ser uma expressão universal do medo, por exemplo, tem um significado distinto para os indígenas Trobriand Islanders, de Papua Nova Guiné. Esse povo, que se mantém até hoje distante das tradições ocidentais, usa a expressão como uma exibição de ameaça para assustar os outros até a submissão.

Não é o que parece

Além disso, segundo os autores, estudos recentes encontraram pouca evidência de relações entre as expressões faciais e as emoções das pessoas.

Uma mesma expressão pode significar várias coisas diferentes – uma “cara fechada”, por exemplo, pode indicar que estamos bravos, mas também podem acompanhar sentimentos de frustração ou até uma prisão de ventre.

Veja também

O que importa é que, independentemente de como nos sentimos, essa expressão serve para intimidar ou sinalizar possíveis retaliações contra quem ousar nos importunar. Em outras palavras, essa cara manda uma mensagem de “não encha o meu saco ou você vai se arrepender”.

Por sua vez, uma cara de nojo pode indicar que estamos prestes a vomitar, mas também é útil quando queremos que alguém pare de falar sobre um assunto que não nos agrada.

Função social da expressão

Outra evidência apresentadas pelo estudo é o fato de fazermos mais expressões faciais quando achamos que estamos sendo observados do que quando estamos sozinhos, ainda que estejamos pensando nas mesmas coisas.

Em estudos anteriores, Fridlund mostrou que as pessoas que assistem a vídeos engraçados sorriem mais quando estão assistindo com amigos – ou mesmo quando acreditam que um amigo está assistindo ao mesmo vídeo em outro lugar ao mesmo tempo – do que quando estão sozinhas.

“Quando fazemos algo na companhia de outras pessoas, estamos sempre checando para ver como elas estão reagindo, e elas fazem caretas quando as percebemos em busca de nossas reações”, explica ele.

(Via Futurity.org).

Quanto tempo levamos para fazer amigos?


Diziam que uma conversa na fila do banco era o suficiente para um brasileiro convidar o outro para ser o padrinho do seu filho (não se sabe se esse ditado ainda faz sentido em tempos tão hostis como este em que vivemos). Mas quanto tempo realmente leva até que alguém possa ser considerado um amigo próximo?

Um estudo da Universidade do Kansas, nos Estados Unidos, foi atrás da resposta. O autor desenvolveu uma ferramenta online com algumas perguntas que permitem prever o nível de proximidade entre o usuário e uma pessoa que ele escolher. Dá para testar aqui.

As perguntas incluem o número de horas semanais que você e seu amigo passam juntos, há quanto tempo se conhecem (só funciona para quem não se conhece há mais de seis meses, pois o foco do estudo eram pessoas que haviam se mudado para uma nova localidade havia pouco tempo), se você sente que o conhece bem, se a opinião dele importa e se vocês se sentem próximos emocionalmente, entre outras coisas.

A partir das respostas, o sistema indica as chances de vocês dois serem amigos próximos, amigos, amigos casuais ou meros conhecidos.

O estudo

O professor Jeffrey Hall, autor do estudo, analisou inicialmente 355 respostas – todas de adultos que haviam se mudado nos últimos seis meses e que responderam as perguntas pensando em alguém que haviam conhecido em sua nova cidade, e em quem não nutriam nenhum tipo de sentimento romântico.

Em uma segunda etapa, ele analisou as respostas de outras 112 pessoas, todas calouras da Universidade do Kansas (onde ele trabalha) vindas de outras cidades. Dessa vez, elas tiveram que responder as perguntas pensando em duas pessoas diferentes que haviam conhecido na faculdade (as aulas tinham começado havia apenas duas semanas).

O teste foi refeito quatro e sete semanas depois, para revelar como aqueles relacionamentos estavam evoluindo. Novamente, foram consideradas relações sem qualquer interesse romântico.

O valor do tempo

O resultado combinado dessas pesquisas levou à conclusão de que leva mais de 200 horas até que uma pessoa possa ser considerada uma amiga realmente próxima. Para uma amizade casual, é preciso passar entre 40 60 horas juntos; para uma amizade normal, entre 80 e 100 horas.

Mas não contam as horas que vocês passam estudando ou trabalhando juntos (senão seus melhores amigos seriam necessariamente seus colegas de trabalho, né?), mas sim fazendo outros tipos de atividades.

Se você quer aprofundar a amizade com alguém do trabalho, é importante mudar o contexto – convidando a pessoa para almoçar ou saindo para beber juntos, por exemplo.

“Temos que dedicar tempo a isso [passar tempo com amigos em potencial]. Você não pode fazer um amigo em um estalar de dedos. Mas manter relacionamentos próximos é o trabalho mais importante que fazemos em nossas vidas”, diz o professor Jeffrey Hall. “A quantidade de tempo e o tipo de atividade compartilhada com um amigo podem ser pensados como investimentos estratégicos no sentido de saciar nossa necessidade de pertencimento em longo prazo”. Awn.

O estudo foi publicado no Journal of Social and Personal Relationships.

(Via Futurity.org).

 

 

Estereótipos de gênero ligados aos cientistas estão mudando, revela estudo


Pessoas instáveis são mais propensas ao uso excessivo do celular


Embora ainda não exista um consenso sobre a existência ou não da dependência em smartphones, ninguém pode negar que o uso excessivo pode trazer problemas.

E um novo estudo encontrou um grupo especialmente propenso a cair nessa cilada: pessoas consideradas instáveis emocionalmente. Segundo os autores, gente estável emocionalmente tem um elevado grau de resiliência, ou seja, alta capacidade de se adaptar a novas situações e recuperar rapidamente o equilíbrio.

A pesquisa foi feita por uma equipe de psicólogos da Universidade de Derby e da Universidade Nottingham Trent por meio de um questionário on-line com 640 usuários de smartphones de idades entre 13 e 69 anos. O objetivo era descobrir se havia alguma associação entre o uso de smartphones e traços específicos de personalidade.

Resultados

Os dados mostraram que, de fato, existe uma associação entre certos fatores psicológicos e o uso de smartphones. O que mais chamou a atenção dos autores foi o fato de que, à medida que os níveis de ansiedade aumentam em um indivíduo, mais ele usa seu smartphone – até como forma de tentar se sentir melhor.

“Isso ocorre porque as pessoas podem estar enfrentando problemas em suas vidas, como estresse, ansiedade, depressão, problemas familiares”, explica Zaheer Hussain, professor de Psicologia da Universidade de Derby e um dos autores do estudo.

Mas essa saída pode ser prejudicial: “As pessoas nesse estado estão emocionalmente instáveis, o que significa que podem procurar consolo no uso excessivo do smartphone. Isso é preocupante”, completa.

Alguns especialistas acreditam que o uso do celular pode ser benéfico ao permitir a interação com outras pessoas, mas esse não se mostrou o caso no estudo. É que os usuários mais propensos a um uso excessivo do celular eram justamente aqueles mais “fechados” em relação aos seus sentimentos e emoções.

“Eles podem estar envolvidos em uso passivo da rede social – que ocorre quando você passa muito tempo no Facebook, Twitter e Instagram vendo comentários, fotos e postagens de outras pessoas, e não publicando nada próprio nem se envolvendo em conversas. Então não há uma interação social positiva real nas redes sociais para essas pessoas”, diz o professor.

Em tempo: os aplicativos mais utilizados entre os participantes foram os de redes sociais (49,9%), de mensagens instantâneas (35,2%) e de música (19,1%).

(Via Medical Xpress)

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As coisas que você não deve revelar para seus colegas de trabalho


Esse papo de deixar que sua vida seja um livro aberto não é uma boa – pelo menos não no ambiente de trabalho. E olha que nem estamos falando de sair por aí contando dos estragos que você fez no fim de semana.

O grande problema é ser sincero demais em relação às suas fraquezas com a galera da firma. Especialmente se você estiver num cargo ou posição hierárquica superior ao de seus ouvintes.

Um estudo do Instituto de Tecnologia da Geórgia publicado recentemente no periódico Organizational Behavior and Human Decision Processes concluiu que fazer isso pode afetar negativamente a relação com colegas de trabalho e ainda prejudicar a eficácia do time nas tarefas realizadas com pessoas de status mais baixo.

Essa descoberta é importante porque se trata de uma atitude comumente vista como algo positivo, um sinal de humildade que pode gerar maior aproximação com os colegas. Até faz sentido entre iguais, mas não é bem assim que a coisa funciona quando as posições não são equivalentes.

“Podemos achar que compartilhar informações pessoais é sempre uma coisa boa, mas o que descobrimos é que, quando indivíduos de status mais alto compartilham informações pessoais que evidenciam uma deficiência potencial, isso pode afetar a forma como são percebidos pelos colegas de trabalho”, diz Dana Harari, uma das autoras. “Isso é importante porque pode prejudicar sua capacidade de ser um líder efetivo”, completa.

O estudo

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores desenvolveram três experiências em laboratório nas quais 762 participantes completaram tarefas virtuais em dupla com um parceiro com status maior ou igual ao seu. Mas esse parceiro não era só mais um voluntário qualquer, e sim um ator que ora revelava informações pessoais que poderiam ser percebidas como fraqueza, ora dizia algo positivo de si mesmo e ora algo neutro.

Resultado: as coisas ditas pelos atores com o mesmo status que sua dupla não afetaram a percepção que se fez deles. Mas aqueles em posição hierárquica superior sofreram uma “perda de status” ao revelar fraqueza. Essa perda se traduziu em seus parceiros terem gostado menos deles e resistido mais à sua influência durante a tarefa.

Segundo os autores, isso significa desvantagens importantes para aqueles em posição de liderança, como a perda da influência e maior ocorrência de conflitos dentro da equipe.

“É especialmente interessante que apenas aqueles de status mais elevados sofreram com essa ‘perda,” enfatiza Harari. “Embora ser sincero em relação às suas próprias falha possa fazer com que essas pessoas se sintam mais próximas de seus colegas de trabalho, elas podem não perceber que isso não é recíproco – os seus ouvintes podem não se sentir mais próximos delas”.

(Via Futurity.org).

Por que alguns desconhecidos parecem mais confiáveis que outros


Já parou para pensar no motivo que nos leva a desconfiar de certas pessoas e instantaneamente confiar em outras – mesmo que não conheçamos nenhuma delas?

Um estudo feito nos Estados Unidos investigou isso e concluiu que é tudo uma questão de como funciona o sistema de aprendizado do nosso cérebro.

É que, de acordo com os autores, nossa percepção sobre a reputação de um estranho, mesmo sem ter qualquer informação direta sobre ele, tem como base a sua semelhança física com pessoas que conhecemos. Em outras palavras, tendemos a desconfiar daqueles que se parecem com conhecidos que consideremos desonestos ou imorais – e costumamos confiar mais nos estranhos que se parecem com pessoas em quem confiamos.

“E isso acontece mesmo que não tenhamos consciência dessa semelhança”, explica uma das autoras, a professora Elizabeth Phelps, do departamento de psicologia da Universidade de Nova York (NYU, na sigla em inglês). “Isso mostra que nossos cérebros implementam um mecanismo de aprendizado no qual informações morais codificadas de experiências passadas orientam futuras escolhas“, completa.

Os experimentos

Para chegar a essa conclusão, foram realizados testes baseados em jogos de confiança. Neles, os voluntários deveriam decidir se compartilhariam ou não dinheiro com outros jogadores (que eram fictícios e representados por imagens faciais).

Em cada jogo, a pessoa tinha que decidir se confiaria a sua grana a três jogadores diferentes. Na primeira rodada, ela fica sabendo que tudo o que compartilhasse seria multiplicado por quatro e que o outro jogador poderia retribuir essa quantia ou então manter todo o dinheiro para si.

Cada jogador fictício podia ser altamente confiável (compartilhavam a grana 93% das vezes), mais ou menos confiável ​​(compartilhavam 60% das vezes) ou nada confiável ​​(compartilhavam só 7% das vezes).

Em uma segunda rodada, os voluntários deveriam selecionar novos parceiros para o jogo – desta vez, jogadores novos. Mas havia um truque secreto: os pesquisadores haviam gerado o rosto desses novos participantes a partir da imagem dos anteriores. Ou seja, eram parecidos com os outros jogadores da primeira rodada.

Na maior parte das vezes, mesmo sem se dar conta da semelhança, os voluntários acabaram escolhendo aqueles que se pareciam com os jogadores mais honestos da rodada anterior e evitavam jogar com quem se assemelhava aos menos confiáveis. Quanto mais parecidos com os jogadores confiáveis de antes, maior a confiança demonstrada neles, e vice-versa.

Para completar, os pesquisadores analisaram a atividade cerebral dos voluntários enquanto tomavam as decisões no jogo, e concluíram algo interessante: ao decidir se os desconhecidos poderiam ou não ser confiáveis, o cérebro dos voluntários ativou as mesmas regiões neurológicas de quando se aprendeu sobre o parceiro na primeira tarefa. Isso inclui a amígdala, região que desempenha um papel importante na aprendizagem emocional.

O estudo foi publicado no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences.

(Via NYU).

É melhor se vangloriar abertamente a ter falsa modéstia


Conheça 5 tipos específicos de depressão/ansiedade


A depressão e a ansiedade podem se manifestar de muitas formas, e a ciência ainda está tentando entender isso melhor para permitir diagnósticos e tratamentos mais certeiros.

Um estudo recente da Universidade Stanford e publicado no periódico JAMA Psychiatry traz mais luz sobre isso. As autoras chegaram a cinco categorias de transtornos mentais associados à depressão e à ansiedade, cada uma atingindo áreas específicas do cérebro e definida por sintomas específicos. Apesar das diferenças, esses transtornos ainda costumam receber tratamentos iguais – o que, espera-se, deverá mudar.

“Nós estamos tentando desembaraçar a sobreposição de sintomas em nossos diagnósticos atuais, o que pode ajudar a finalmente orientar escolhas de tratamento sob medida”, escreveram as pesquisadoras.

São estes os transtornos identificados:

Tensão: é o tipo mais comum e se caracteriza pela irritabilidade. Neste caso, a ansiedade torna o sistema nervoso da pessoa hipersensível, o que a deixa excessivamente sensível e se sentindo sobrecarregada.

Impulso ansioso: o funcionamento cognitivo, como a capacidade de se concentrar e controlar os pensamentos, é prejudicado. A pessoa pode sentir que está “perdendo a cabeça” e ter a memória prejudicada. Os sintomas físicos incluem coração acelerado, sudorese e sensação de estresse.

Melancolia: caracterizada por problemas com o funcionamento social: a pessoa tem dificuldade para se relacionar – e o isolamento consequente também lhe provoca sofrimento.

Anedonia: o sintoma principal é a incapacidade de sentir prazer. Esse tipo de depressão muitas vezes passa batido, porque as pessoas geralmente são capazes de funcionar razoavelmente bem mesmo enquanto estão em alto estado de sofrimento. “As pessoas conseguem continuar funcionando, mas em algum momento ficam bastante entorpecidas. Essas são algumas das mais angustiadas”, diz Leanne Williams, uma das autoras do estudo e professora de psiquiatria e ciências comportamentais de Stanford.

Ansiedade geral: um tipo generalizado de ansiedade cujas características principais envolvem preocupação e excitação ansiosa. Trata-se de um tipo de estresse mais físico.

O estudo

As pesquisadoras coletaram e processaram dados de 420 voluntários com variados diagnósticos de ansiedade e depressão. Eles foram submetidos a uma série de testes envolvendo mapeamento cerebral, relato de sintomas e testes para diagnósticos psiquiátricos. Também foram avaliadas sua capacidade de realizar atividades cotidianas e de relacionar, bem como sua visão geral da vida.

Um algoritmo analisou, classificou e agrupou os dados e chegou aos cinco tipos de transtornos. Depois, os mesmos testes foram realizados com uma segunda amostra independente de 381 pessoas. O algoritmo chegou aos mesmos cinco tipos.

Do total, 19% dos participantes manifestaram tensão, 13% tinham excitação ansiosa, 9% ansiedade geral, 9% melancolia e 7% anedonia. E havia ainda aqueles que não manifestaram sintomas suficientes para serem classificados em nenhum dos cinco diagnósticos, mas que, por aproximação, se encaixavam no grupo dos que sofriam com tensão.

(Via Medical Xpress e Stanford)

 

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